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Lance Notícias | 26/09/2021 13:51

26/09/2021 13:51

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Desafio e superação: vereador Rafinha conta um pouco sobre sua trajetória

O suplente de vereador Rafael Batisteli, popular Rafinha, de 27 anos, tem uma deficiência chamada osteogênese imperfeita que é uma doença rara dos ossos de origem genética, que é caracterizada em especial pela fragilidade dos ossos. Nasceu com várias fraturas nos membros superiores e inferiores, e foram aproximadamente 500 fraturas no primeiro ano de vida. […]

Desafio e superação: vereador Rafinha conta um pouco sobre sua trajetória

O suplente de vereador Rafael Batisteli, popular Rafinha, de 27 anos, tem uma deficiência chamada osteogênese imperfeita que é uma doença rara dos ossos de origem genética, que é caracterizada em especial pela fragilidade dos ossos.
Nasceu com várias fraturas nos membros superiores e inferiores, e foram aproximadamente 500 fraturas no primeiro ano de vida.

Também frequentou a APAE dos dois aos quatro anos de idade.

– Os professores falavam que eu não era aluno para estar lá, pois tinha um desenvolvimento mental muito bom, aprendia muito bem os conteúdos – explica.

Então ele foi para a creche Cinderela onde fez o jardim e o pré, depois estudou na escola EEB Raimundo Corrêa no ensino fundamental e no ensino médio.

No ano de 2005 quando ele tinha 11 anos chegou um tratamento em Santa Catarina, no Hospital Infantil Joana de Gusmão que é o Pamidronato de Cálcio, que basicamente, é um cálcio aplicado na veia para fortalecer os ossos, e ele tomou esse medicamento até seus 19 anos.

Aos 16 anos fez correções de tíbia e fêmur e como era muitas fraturas e as pernas já estavam muito atrofiadas, foi implantado uma haste do calcanhar ao joelho e do joelho ao fêmur.

– Minha vida sempre foi traçada por objetivos, nunca desisti e nem minha família desistiu de mim – fala Rafinha.

Sempre foi dedicado aos estudos teve notas boas, mas sua maior dificuldade era na matemática, e por isso escolheu cursar Direito.

Ingressou na faculdade de Direito em 2013, quando ingressou na faculdade foi uma época ruim, pois acabou perdendo seu pai que foi vítima de infarto, e com isso acabou afetando seu desenvolvimento e acabou trancando a faculdade, mas um tempo depois voltou ao curso.

– Meu pai sempre cuidava muito de mim e eu tive que aprender a me virar e minha mãe me auxiliava, já que meu irmão era muito novo e meu outro irmão estava casado – conta Rafinha.

Depois dos seus 19 anos que começou a sair, ir em festas, bailes, e sempre foi bem aceito pela comunidade.
– As pessoas me admiravam quando viam que eu estava bebendo e fazendo festa, pois nunca achavam que iam se deparar com uma pessoa com deficiência bebendo – comenta ele.

Ele acabou trancando o curso de Direito mais duas vezes para fazer a campanha política de 2016 e 2020, quando concorreu as duas vezes ao cargo legislativo e ficando vereador suplente na Câmara Municipal, na primeira vez fez quase 400 votos, na segunda fez menos, com 174 votos.

– Eu gosto de atuar na Câmara dos Vereadores, e trabalho sempre pela moralidade e bons costumes – Comenta Rafael
Ele conta que é um pouco dificultoso, pois as comunidades querem a presença física e por ser jovem e acadêmico de Direito, durante a semana está em função da câmara e da faculdade, e no fim de semana ele acaba descansando um pouco e acaba não indo nas comunidades.

Além do trabalho na Câmara de Vereadores, ele também trabalha numa empresa privada.

– Eu acordo 06h30, tomo café, me arrumo, tudo sozinho, vou trabalhar e de meio dia almoço no bairro mesmo, e de tarde volto, e de noite vou para a faculdade, mas agora com a pandemia, as vezes vou até Chapecó e as vezes acompanho remotamente – comenta.

Nos finais de semana acompanha o esporte e gosta muito, ele faz as fotos dos jogos do time de Seara, já que ele faz a página do Seara Futsal masculino.

– Nunca consegui jogar bola, mas sempre senti a vibração, aquela vontade, e ficava muito feliz fotografando, pois me sentia lá dentro da quadra – cita Rafael.

Ele aprendeu muito com a vida, aprendeu a errar, a acertar, e acabou tomando algumas decisões erradas, e aprendeu também que uma pessoa com deficiência tem que batalhar o dobro para conquistar as coisas do que uma pessoa comum.

– Peço para que deem oportunidades para pessoas com deficiência, incluam elas no mercado de trabalho, pois todo mundo é capaz, a inclusão não é somente colocar uma rampa em uma calçada e falar que a pessoa está inclusa – conclui Rafinha.

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